Joaquim Cruz treina promessa pernambucana

Postado em 1 em dezembro 31, 2009 por coelhos1989

Fernanda Maria Silva quer fazer boa participação na São Silvestre

São Paulo: O eterno medalhista de ouro Joaquim Cruz, campeão olímpico dos 800 metros nas Olimpíadas de Los Angeles em 84 está treinando uma nova promessa do Atletismo brasileiro. Seu nome é Fernanda Maria Silva, uma pernambucana de 22 anos que acabou de ficar em vigésimo segundo lugar na Volta da Pampulha, em Belo Horizonte, com o tempo de 01:12:56.

Até ai o quadro pode parecer absolutamente normal, mas na verdade esse treinamento não é nem um pouco ortodoxo, ainda mais para os padrões do atletismo. Joaquim treina Fernanda à distância. Pode parecer estranho, mas para essa atleta todo esforço é válido para alcançar o seu desejo de ser a melhor e conseguir o que todo atleta em inicio de carreira deseja, um patrocínio. Mesmo com o treinamento até certo ponto“exótico”, seus resultados tem melhorado sob a batuta de Joaquim Cruz.

Como principais conquistas em 2009 ela ficou em primeiro lugar no Campeonato Norte-Nordeste-Bahia sub 23 com 3.000 metros com barreiras e na corrida Sicoob Credipajeu-Pe. Além disso, outros resultados muito positivos aconteceram, mas como é costume em atletas provindos de uma situação econômica mais difícil, ela sofreu até arranjar algum espaço.

“Em Brasília a empresa que me contratou (Obcursos) prometeu estudo;treino e patrocínio, mas acabou me largando em uma casa sem alimentação. Além disso, eles começaram a exigir bons resultados nas corridas. No fim, nada do que me prometeram foi cumprido.”Afirma Fernanda, citando apenas uma de suas experiências ruins antes de chegar aonde está hoje. Para sua sorte, o acaso adentrou seu caminho. Um amigo de Joaquim Cruz, identificado apenas como Jânio, apresentou Fernanda ao atleta, e assim começou a estranha mas promissora união dos dois.

Atualmente, assim que Fernanda termina um treino, ela manda o tempo imediatamente para Joaquim, que o analisa e propõe jeitos de melhorar. Apesar de continuar sem patrocínio, Fernanda acredita que a São Silvestre, no último dia do ano, pode ser uma chance de começar 2010 com quase tudo que ela desejava. “Hoje tenho treino e tenho treinador. Só falta o patrocínio” finaliza.

Suehiro Maruo- O acerto surrealista (?).

Postado em 1 em dezembro 4, 2009 por coelhos1989

Seria presunção fazer uma afirmação como a acima sem um estudo contundente e profundo dos conceitos que circundam o movimento surrealista e suas origens, porém mesmo após uma análise relativamente superficial, fica claro que Suehiro Maruo é um caso particular dentro não apenas do movimento surrealista, mas da própria arte em geral. São poucos os artistas que, como ele, conseguiram unir em suas obras o fluxo de inconsciência do pensamento com uma identidade visual coerente, mesmo que subjetiva, ao mesmo tempo. Os quadrinhos, sendo a junção da palavra com a imagem, propiciam um meio excepcional para averiguar as possibilidades artísticas do trabalho desse obscuro e pouco conhecido desenhista japonês.

Maruo nasceu na cidade de Nagazaki, em 1956. Apenas esse fato já demonstra as circunstâncias especiais na qual nasceu e foi criado. Nessa época o Japão estava no início da recuperação que o levaria ao posto de segunda maior economia do planeta. Entretanto, várias eram as seqüelas da guerra e do caos e da fome que estavam assolando o Japão desde a segunda guerra . Na belíssima história passada na Tóquio de 1946 “A Cidade que Sucumbe”, do livro “Ero-Guro” (editora Conrad) mostra bem a faceta da desordem e do horror vividos não por Maruo pessoalmente, mas por aqueles que o criaram e o influenciaram decisivamente. Assassinato, pedofilia, manipulação, terror, ódio, medo, depravação, dor, morte, sadismo, desejo, luxúria. Todos esses temas permeiam suas obras, desde as mais inocentes até as mais pervertidas e subversivas.

Sétimo filho de pais pobres, Maruo bem cedo deixou a escola e passou boa parte da adolescência metido em roubos e confusões. Aos dezessete chegou a ser preso por duas semanas após furtar cds do Santana e do Pink Floyd. Sem muitas qualificações profissionais e acadêmicas, Suehiro fez o que para os japoneses é quase que o equivalente a ser jogador de futebol aqui no Brasil, quis se tornar desenhista de histórias de quadrinhos. Mandou desenhos para inúmeras revistas, como a Shonen Jump e a Shonen Sunday, que muitas vezes, por semana, ultrapassam sete milhões de revistas vendidas. Não é preciso dizer que o estilo extremamente perturbado e gráfico de Maruo não agradou os editores, que nunca o responderam.

Entretanto, tal recusa trouxe-lhe uma liberdade que não existia na concorridíssima agenda dos quadrinistas das grandes editoras, que são praticamente obrigados a fazer um novo capitulo por semana. Na revista vanguardista Garo, que vende, num bom mês, 50 mil edições, e cujo foco vão para trabalhos experimentais, independentes e visionários, Maruo encontrou o que precisava. Seu acerto foi encontrar um ponto de fusão entre o violento erótico-grotesco classe z e o pioneirismo estilístico e ideológico das produções de vanguarda artística.

No que cerne a questão visual, provavelmente a parte mais interessante, impactante e extraordinária de sua obra, é fácil se perder em referências. Seu desenho traz traços semelhantes aos usados nas ilustrações comerciais da década de 20, o que faz sentido com a declaração de Maruo de que “despreza a arte moderna”, e suas histórias parecem ter sido tiradas dos horrendos espetáculos do teatro Grand Guignol*, na Paris pós-revolucionária. Seus mangás seguem a perspectiva clássica do gênero, com pouca ousadia na disposição dos quadros. Tal prudência contrasta, entretanto com o preciosismo de seus desenhos e com o arrojo da construção da trama, deveras sofisticado, apesar de impactante a olhos não acostumados. Outras referências possíveis vão desde George Battaile, Marquês de Sade, Conde de Lautreamont, Marat, Miró, Ryder e chegando até a Luiz Buñuel, isso sem contar as referências orientais, mais desconhecidas, como as figuras de atrocidades muzan-e ou outros escritores e artistas diversos e igualmente desconhecidos pelo publico ocidental, como Tadanori Yokoo ou Osugi Sakae.

Explicar isso é até certo ponto fácil, pois, como foi dito anteriormente, Maruo cresceu com a geração “Baby-boom” e, junto com ela, teve acesso aos materiais que seus pais e avós não tiveram graças ao isolacionismo nipônico. Voltaire, Nietszche, Freud, Dalí, Picasso, Marx, entre outros artistas do pensamento livre se tornaram, quase que de uma hora pra outra, acessíveis ao grande público japonês. Tal possibilidade deu a Maruo material para roubar (ninguém sabe se literalmente ou não) idéias para seus trabalhos. Ele próprio define sua obra como “Uma coleção de roubos”.

O diferencial de Suehiro Maruo está no fato que esse consegue driblar os limites do surrealismo tanto na literatura quanto nas artes plásticas e dar à suas histórias algo mais do que somente um emaranhado de simbolismos que fazem sentido quase que exclusivamente ao autor. Explica-se. No caso literário, um dos problemas fundamentais do movimento foi conseguir transportar o fluxo múltiplo, circular, instantâneo e incessante do pensamento para o papel de modo relativamente coerente com o que o escritor queria dizer. Em suma, formar não apenas um amontoado de palavras, mas algo que possa ser lido e compreendido pelos outros. No caso da pintura surrealista, muito mais bem-sucedida, esta pecava pela outra face da mesma moeda. Mesmo que a unicidade existisse e fosse mais compreendida graças as facilidades da visualização, e não só da interpretação, do pensamento do autor, ela igualmente pouco se preocupava com o sentido ou com a mensagem que passava. Para os surrealistas, a arte devia existir em si mesma, sem relação com a sociedade. Maruo, de seu jeito, reconstrói isso, dando-lhe um aspecto quase socialista. Suas histórias, camufladas com um niilismo ativo, potente e transgressor, mostram o caos que rege o mundo, e os indivíduos podres que o habitam. E é essa devassidão moral, espiritual e material que faz o trabalho de Maruo extremamente realista e, porque não, incrivelmente humano. Em resumo, é um aviso a todos de que, no fundo, somos todos tão monstruosos quanto suas criações.

Uma Família da Pesada – um espelho da sociedade de massa

Postado em 1 em dezembro 4, 2009 por coelhos1989

Eis uma das minhas séries favoritas. Pra quem não conhece essa série, trata-se basicamente de um desenho animado aonde a família Griffin, composta pelo patriarca idiota e ignorante Peter, pela mãe honesta e mente aberta Louis, o bebê Stewie, o cachorro intelectual Brian e os filhos adolescentes-e problemáticos-Meg e Chris, se envolve em diversas confusões estapafúrdias e enredos malucos com muita confusão (narrador sessão da tarde ON). Tem a sensação de já ter visto algo parecido antes?

Muitos afirmam que Uma Família da Pesada é uma cópia descarada dos Simpsons, porém essa é uma avaliação, ao meu ver, bastante leviana, porque leva em conta apenas a aparência e não a dinâmica interna do programa. Enquanto “os Simpson” é uma sátira aos valores da família americana média, “Uma família da pesada” é um caso diferente e, por que não, um pouco mais complexo, apesar de não parecer. Trata-se de uma sátira maquiada à própria televisão e a cultura de massa. A principio é até hilário afirmar isso, levando em conta o nível de baboseiras que aparecem no programa por segundo, mas uma análise detalhada pode revelar algumas surpresas.

Filha de um estilo de humor muito mais anárquico e inconseqüente que aquele visto em Os Simpsons, “Uma família da pesada” (UFDP) pode ser comparado em termos de conteúdo apenas com outro titulo animado de sucesso, que é South Park. Ambos tem uma veia muito mais voltada para uma critica ácida e mordaz a tudo e a todos, independente de quem seja, do presidente dos EUA-o que é compreensível-até mesmo Jesus Cristo-o que também é bastante compreensível. Apesar dessa semelhança importante, a relação acaba ai.

Enquanto em South Park os roteiristas Parker e Stone pegam um fato isolado e o criticam de modo criativo, como por exemplo o episódio “Elementary School Musical”, em que a dupla pega os preceitos de High School Musical e os corrompe totalmente, Macfarlane (o criador de Uma Família da Pesada) faz algo parecido porém com um pouco menos de trabalho( será?). Ele cria um enredo parco e geralmente pobre e, a partir daí, o enriquece com os infames flashbacks “non sequitur” (ou cutaway sequences) e outros recursos humorísticos visuais – as visual gags- que não tem nada a ver com a história. Um exemplo clássico, tirado da genial crítica feita pelo South Park à Uma Família da Pesada no fenomenal episódio “Cartoon Wars”: Dois peixes-boi tiram de uma piscina bolas que contém as palavras “México”, “encontro” e “Gary Coleman”, portanto, pela “lógica”, faz-se uma piada em que Peter tem um encontro marcado com Gary Coleman no México, simples assim. Em verdade, parece que boa parte dessas gags são feitas de modo parecido, mas apenas parece. Explicar o conceito por trás disso me levaria não na direção de um mero artigo como esse, mas a algo muito mais complexo, o que não é meu objetivo, então paremos por aqui. O importante é mostrar como Uma família da pesada é uma crítica ferrenha da indústria de consumo de massa e à própria televisão, além de também ser um importante meio de conectar as gerações.

Uma família da pesada é original devido justamente à sua falta de originalidade. E por que? Veja bem, quem já viu “UFDP” sabe que boa parte do que acontece é tirado de coisas que já aconteceram, que nascem majoritariamente no núcleo da cultura pop, seja ele relacionado a musica, ao cinema, às celebridades, etc, portanto o programa é literalmente uma enorme miscelânea de fatos, polêmicas, referências, brincadeiras, criticas pessoais e sociais, preconceitos, conceitos, e basicamente tudo o que aconteceu ou está acontecendo.

Em quase todos os episódios, não há mais que 10% de enredo e 90% de sátiras completamente aleatórias, que não servem pra absolutamente nada a não ser chocar/divertir/informar. É preciso ter bastante conhecimento cultural e histórico para entender boa parte do que se passa em Uma Família da pesada. Não foram poucas as vezes eu me peguei pesquisando coisas que eu achei interessante em algum episódio específico, como o episódio em que Peter vira jogador de futebol americano e dança um quadro do musical “The Music Man”, chamado Sheepoopi (não existe tradução pra essa palavra) após marcar um Touchdown.

Não são poucas as pessoas que criticam esse artifício tão brilhantemente usado em “UFDP”. Julgam elas que não há originalidade. Se tem uma coisa que eu aprendi na faculdade é que o processo de criação é composto em 99% dos casos de plágios de idéias e conceitos, e UFDP leva isso ao extremo ao copiar- e satirizar- descaradamente tudo à sua volta. O ótimo show da Tina Fey, 30 Rock faz, em outros ângulos de análise, praticamente a mesma coisa, e também possui as mesmas infames “cuttaway sequences”, porém, como a dinâmica é muito mais perspicaz e inteligente, as pessoas não problematizam tanto. UFDP não deixa pedra sobre pedra ao ironizar todos os tabus da sociedade ocidental, e às vezes oriental também, seja com religião, política, aborto, sexo, e principalmente a cultura. Talvez uma das únicas coisas que realmente me chateia na maioria dos episódios é a presença constante do dispositivo chamado “Deus Ex machina”, que, resumidamente é quando algo ou alguém entra inesperadamente no final da trama para amarrar todas as pontas soltas da história. Porém, tendo em vista o conceito do programa, é até compreensível.

Quando assistimos Uma Família da pesada, vemos a nossa própria sociedade no espelho, e é por isso que ela choca e incomoda tanto. Todo o culto á ignorância, às celebridades, ao dinheiro, à massificação das idéias nos é exposto do jeito que é, sem filtros para apaziguar nossa culpa ou nossa feiúra.

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PS:

Uma polêmica interessantíssima que surgiu com uma família da pesada foi o episodio da música “You have Aids”. Logo após a exibição muitos grupos de direitos GLBT disseram que se tratava de uma representação irresponsável e inconseqüente por parte da FOX acerca da “classe”. Entre outras alegações, eles disseram que o rapaz que tinha Aids (confira no vídeo) parecia homossexual porque ele tinha um cavanhaque!!! Ora, justo eles que não querem ser estereotipados começam a particularizar eles mesmos? Que ironia, lembrando que EM NENHUM MOMENTO é dito que ele é homossexual. Vai entender!

Tratando e ensinando a gerações

Postado em 1 em dezembro 4, 2009 por coelhos1989

De arquitetura, pioneirismo e história singulares, Hospital Gaffrée&Guinle faz oitenta anos

matéria originalmente feita para a revista Formatura e Cia.

Cândido Gaffrée, famoso empresário carioca e então dono das concessões do Porto de Santos deixou registrado, em caráter não-oficial, que desejava que aproximadamente três mil contos de réis de sua fortuna fossem destinados à criação de uma instituição em defesa da saúde pública do Rio de Janeiro. Como não tinha filhos, Cândido deixou tudo que possuía para seu afilhado, Guilherme Guinle, filho do seu amigo de infância, o célebre homem de negócios Eduardo Guinle, com quem construiu uma longa parceria profissional desde os idos do Império.

Em 1923, quatro anos após a morte de Cândido, Guilherme doou um terreno no número 775 da Rua Mariz e Barros para a causa do padrinho. Logo no ano seguinte começava a construção do que viria a se tornar o Hospital Gaffrée&Guinle, sob o comando do arquiteto Porto D´ave. Naquela época o Rio possuía apenas três hospitais-de quinze no total-destinados ao público geral, o que demonstrava a importância que a construção viria a ter para a população fluminense. “O Hospital Gaffrée e Guinle foi o primeiro a ser construído visando um projeto de saúde pública, pautado nas modernas concepções de higiene e de arquitetura hospitalar. Os edifícios hospitalares então existentes, datados do século XIX, respondiam a uma outra concepção de assistência, de medicina, e de arquitetura” Afirmou a pesquisadora da Fiocruz e doutora em História das Ciências e da Saúde pela Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz Gisele Sanglard.

Inaugurado no dia primeiro de novembro de 1929, o Hospital Gaffrée&Guinle, nomeado em homenagem a seus idealizadores, desde cedo foi centro de referência em pesquisas relacionadas à área da saúde e ao tratamento de doenças venéreas, que eram endêmicas – ocorriam o ano inteiro-no município. O quadro era tão grave no começo do século que o sociólogo Gilberto Freyre parodiou tal fato, dizendo que na verdade o Brasil não foi colonizado, mas sim “sifilizado”.

O estilo arquitetônico do Gaffrée&Guinle é caracterizado como sendo neocolonial. De modo resumido, tal movimento buscava, através de elementos arquitetônicos surgidos durante o período da Colônia, o encontro da identidade nacional. Entretanto, como se tratava de uma instituição de saúde, há outros elementos arquitetônicos a serem levados em conta. O pesquisador da Fiocruz e doutor em Urbanismo pela FAU/UFRJ Renato da Gama-Rosa Costa definiu as tendências arquitetônicas na área da saúde naquela época em dois modelos, o pavilhonar e o monobloco. O Gaffrée&Guinle era um caso particular, pois sua construção se deu numa “época de transição entre os dois estilos. A construção pavilhonar é um edifício com diversos blocos, aonde cada especialidade médica tem o seu pavilhão. Tal modelo é considerado mais arcaico, e é caracterizado por uma construção aberta e arejada, já que havia o medo das doenças se propagarem pelo ar. O edifício em monobloco, que é o que se utiliza nos hospitais de hoje, não tem essa preocupação por causa dos avanços da assepsia moderna.”

Aproximadamente trinta anos se passaram e foi apenas na década de sessenta, após a morte de Guilherme Guinle, que o Hospital passou a ser controlado pelo Governo, sendo incorporado à Escola de Medicina e Cirurgia em 1966 e ganhando então o nome atual de Hospital Universitário Gaffrée e Guinle em 68. Com o advento da Aids nos anos 80, o Gaffrée&Guinle mais uma vez tomou a dianteira e se tornou centro nacional de referência de tratamento da doença. E em 1989 foi criado o centro de tratamento anônimo, que existe até hoje.

Atualmente o hospital luta para conseguir pôr as finanças em dia, o que não é surpresa analisando o quadro da saúde pública do Rio de Janeiro. De acordo com o Diretor do Hospital, o Professor Antônio Carlos Iglesias, de 57 anos e 37 de instituição, o Gaffrée&Guinle tem um orçamento que “é sempre deficitário. Todo mês faltam quatrocentos ou trezentos mil reais pra equilibrar a balança”. Pelas contas da direção, entram mensalmente oitocentos mil reais de assistência governamental e tem-se um gasto aproximado em torno de um milhão e cem mil reais.

Ainda sim, a situação parece melhor do que há alguns anos, quando circularam diversas denúncias de sucateamento do hospital, em especial vindo de grupos de ajuda a pacientes com diabetes, de cujo hospital também é centro de referência. Iglesias lembrou que “do final de 2008 pra cá foram comprados novos equipamentos” e que o abastecimento “dos remédios estava normalizado”. Ironicamente, num dos postos de distribuição de remédios contra o HIV logo ao lado da direção do Hospital, havia um aviso dizendo ser preciso um fracionamento dos remédios Reyataz e Ritonavir para que assim pudessem garantir uma provisão justa aos pacientes. De acordo com a nota havia um atraso no fornecimento de tais medicamentos.

Mesmo com os problemas atuais, nada apaga todo o beneficio que o hospital trouxe e traz para a população carioca desde 1929, há exatos oitenta anos. Seja fazendo quase dezesseis mil consultas por mês ou ensinando as quase vinte e quatro especialidades médicas a suas centenas de alunos, o Gaffré&Guinle continua sendo um pequeno sopro de qualidade na Saúde do Rio, tal qual foi no seu começo.

Um inverno cinzento

Postado em 1 em dezembro 3, 2009 por coelhos1989

A questão primordial do encontro que acontecerá em Copenhague em algumas semanas não é meramente ecológico, mas algo que transcende os fatos, as especulações financeiras e os embates políticos. No ano que se completa 20 anos da queda do Muro de Berlim vemos a necessidade de mais uma vez escolher o futuro que queremos. Seja derrubando ou não o muro atual, nossos governos terão de se colocar perante o maior problema que aflige o mundo depois da fome. Como equilibrar o desenvolvimento com a conservação da natureza?

“Ora, mas não era sobre redução de emissões?” Você pode estar pensando. Sim, também é sobre isso, mas tal aspecto é apenas o grau mais superficial de um assunto vasto e mal-explorado. Tanto porque não há consenso no quesito redução de emissões, e nunca haverá. De um lado temos os países ricos, que querem, e podem, reduzir a poluição de gases poluentes na atmosfera sem atingir fortemente sua industria e economia. Do outro se avista os países como Brasil, China e Índia, que apenas agora começam a galgar novos degraus no desenvolvimento, e que são, portanto extremamente dependentes – e também vulneráveis – desse modelo arcaico, porém atual de produção de riquezas. Com visões tão antagônicas, não é de surpreender que a reunião esteja tomando ares cada vez mais cinzentos, fato confirmado também pelo adiamento desta por parte dos Americanos e Chineses no último dia 16.

Parece que os únicos com um certo grau de bom senso no assunto são os Europeus, mas longe deles serem bonzinhos e humanistas. Como qualquer capitalista que se preze, eles pensam no lucro e em seus interesses em primeiro caso, contudo eles sacaram que o futuro não está no modelo antiquado de hoje, baseado essencialmente em combustíveis fósseis, mas no desenvolvimento sustentável, tanto que lá eles negociam os cortes de emissões na Bolsa, e ganham muito, muito dinheiro com isso Óbvio, nem Estados Unidos nem mesmo a China, que ironicamente é o país que mais investe em novos modelos de geração de energia, são bobos o suficiente para não entrar nnesse filão lucrativo que a ecologia abriu, entretanto o desinteresse deles na Cúpula de Copenhague mostra que a atenção dos Gigantes se concentra no hoje, e não no amanhã, foca mais nos embates político-ideológicos entre o trepidante capitalismo ocidental e o tirânico-mas-eficiente socialismo chinês do que em um possível, embora distante, comprometimento mundial e homogêneo acerca da questão climática.

O Brasil, que ultimamente tem pintado seu desejo de alçar maiores voos diplomáticos, deveria utilizar a cúpula em seu beneficio. Entrar no crédito de carbono, melhorar técnicas agrícolas que prendem nosso plantio, aumentar o rebanho sem aumentar a área de pasto, usar o bagaço de cana para complementar a energia produzida pelas usinas de álcool, que não poluem, investir maciçamente em energia eólica, que pode dar uma vez e meia toda a energia que consome, são opções pra dar e vender.

A realidade é que não deve haver sequer acordo na capital da Dinamarca, pois os interesses entre ricos, “novos-ricos” e pobres não se mesclam nesse mundo de expansão de mercado e crise financeira. O que resta é saber que apenas quando a necessidade surgir as coisas vão acontecer, mas isso não é nenhuma novidade.

Déjà vu amargo no Maracanã

Postado em 1 em dezembro 3, 2009 por coelhos1989

Fred bem que tentou, mas acabou fazendo a diferença negativamente

Time goleia a LDU, mas tal qual 2008, acaba perdendo o título em casa

Leonardo Coelho lcoelho@jsports.com.br

Ricardo Ayres/Photocamera’)” border=”0″> Rio de Janeiro: A hora da revanche. Quando os garotos viram homens, que por sua vez tornam-se heróis. O momento de vingar uma torcida doída, calejada pelo ano difícil. A hora de transformar prejuízo em energia para a vitória, para a virada histórica. Muitos sentimentos passavam pelas mentes dos tricolores no duelo da noite desta quarta-feira, no Maracanã.

A derrota era a sombra que seguia pensamentos, mas tal perigo sempre encontra-se presente dentro dos 90 minutos de um jogo, e o Fluminense não ia se dar por vencido, por mais que a desvantagem fosse grande. Quatro gols, parecia muito, mas para o torcedor podia até ser oito que ele continuaria acreditando. Infelizmente, não deu. Mais uma vez, que nem em 2008, a equipe tirou o pé na hora que não podia, e o sabor do quase virou deja vu, e um bem amargo. Um 3 a 0 na LDU que, apesar de honrar as tradições tricolores, não adiantaram para a conquista do título.

Início emocionante

O jogo começou nervoso, com o time tricolor tendo certa dificuldade em chegar à área da LDU.Apenas aos 13 minutos, o time chega…e que chegada! Diguinho, na sorte, manda um balaço que desvia em um jogador da LDU e entra. Gol!. Era isso que o time precisava. Para melhorar ainda mais o clima de festa que embalava o Maracanã, o time perdeu outra ótima chance logo depois.

Diguinho, que havia feito o favor de fazer o gol, após arrancada foi literalmente parado por De La Cruz, corretamente expulso. A situação ficava melhor ainda. Mesmo com dez, a LDU continuava perigosa, mas dez é menos que onze, então matematicamente ao menos o Flu tinha boa vantagem, que se transformou em realidade.

Um o revés, o time equatoriano pouco passava do meio-campo, e o Flu só não fazia mais por obra do acaso ou capricho divino. Aos 30, mais uma vez Diguinho, anotou mais um tento, após bela troca de passes. O detalhe: ele estava impedido por alguns metros, e o bandeirinha fez questão de ver. Anulado. Ossos do oficio, mas o Flu não ia deixar de tentar por isso, muito pelo contrário.

Apenas aos 40 o artilheiro Fred teve sua primeira chance, mas essa foi só pra testar. Três minutinhos depois, recebeu livre na frente, avançou e arrematou levemente para o gol: 2 a 0. Faltavam apenas dois. Será que dá? Se dependesse da torcida e de Fred, a resposta seria positiva. Na saída do intervalo, o craque ainda proferiu a frase que todo adepto estava ávido para escutar:  “VAMOS SER CAMPEÕES”.

Segunda etapa

Logo no começo do segundo tempo, o Fluminense, que não foi para o vestiário, teve boa chance de aumentar o placar. Adeílson até que acertou a rede, só que pelo lado de fora. Aos três, o jogador Larrea põs a mão na bola, na área, mas Amarilla não marcou pênalti. Fora isso, o jogo continuava parecido, porém sem uma pressão sustentada por parte do tricolor, que parecia cansado.

Jogo vai e jogo vem, e nada da equipe da casa voltar a ter a mesma determinação do primeiro tempo. Isso até os 26, quando Gum fez de cabeça o gol que acordou o Flu. Entretanto, acordou ate demais, já que Fred, o jogador mais importante do time, perdeu a cabeça irresponsavelmente após uma jogada e terminou indo para o chuveiro mais cedo.

Agora a vantagem matemática estava perdida. Mas não por muito tempo, pois Jairo Campos, da LDU, fez questão de ser expulso. No jogo dos números, eram dez contra nove, em campo para o Tricolor, e 5  a 4 no placar a favor dos visitantes. Faltava só um gol. Para quem precisava de cinco, até que não estava nada mal.

A partir dos 40 minutos, a LDU começou a fazer o que se esperava, cera, muita cera, e o Flu não aparentava ter forças para fazer mais um. Parte da história de 2008 se repetia. Na raça, o Fluminense mais uma vez quase conseguiu seu primeiro titulo internacional, e frente ao mesmo adversário.

Coisas que só o futebol explica. Agora, desculpem os clichês, é bola pra frente que ai vem o Coritiba, e o Flu não tem tempo pra ficar de luto. Valeu, valente “time de guerreiros”.

FLUMINENSE 3 x 0 LDU-EQU

Fluminense
Rafael; Mariano (Maurício), Dalton, Gum e Marquinho; Diogo (Raphael Augusto), Diguinho e Darío Conca; Alan, Adeílson (Ruy) e Fred. Técnico: Cuca

LDU-EQU
Dominguez; Norberto Araujo, Espínola e Campos; Reasco, Willian Araujo, Diego Calderón, Méndez e De La Cruz; Walter Calderón (Larrea, depois Calle) e Bieler (Bolaños). Técnico: Jorge Fossati

Data: 02/12/2009 (quarta-feira)
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Carlos Amarilla (Paraguai)
Auxiliares: Emigdio Ruiz Roa (Paraguai) e Nicolas Yegros (Paraguai)
Público: 65.822 (pagantes) e 69.565 (presentes)
Renda: R$ 1.409.695,00

Cartões amarelos: Gum, Alan e Mariano (Fluminense). Campos, Dominguez e Larrea (LDU-EQU).
Cartões vermelhos: Fred, aos 30 minutos do segundo tempo (Fluminense). De La Cruz, aos 17 minutos do primeiro tempo; e Campos, aos 36 minutos do segundo tempo (LDU-EQU).

Gols: Diguinho, aos 13 minutos; e Fred, aos 43 minutos do primeiro tempo. Gum, aos 26 minutos do segundo tempo.

Homeopatia

Postado em 1 em julho 22, 2009 por coelhos1989

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Reportagem originalmente publicada no www.oestadorj.com.br

Apesar das dúvidas da medicina tradicional quanto a sua real eficácia, a homeopatia vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil.

A homeopatia é um método terapêutico criado por Christian Friedrich Samuel Hahnemann em 1796, e que tem como princípio a “Similia Similibus Curantur”, que significa “os semelhante curam-se pelos semelhantes”. Em outras palavras, a homeopatia, cujo nome vem do grego Homoios, que significa semelhante, e de Pathos, que significa doença, é uma técnica que visa curar os pacientes dando-lhe doses reduzidíssimas de algum elemento que produza os mesmos sintomas e sinais aos que ele apresenta, tal qual o efeito de uma vacina, ao contrário do que acontece na medicina tradicional, chamada de alopatia, aonde a busca pela saúde do doente se dá por um elemento que faça um efeito contrário. No Brasil, a técnica chegou em 1840 e desde então, dentre todos os países da América latina, foi aonde a homeopatia mais se desenvolveu.

“Decidi usar os métodos homeopáticos porque meu filho, que não melhorava de uma infecção na garganta com medicação alopata, ficou saudável utilizando a homeopatia“. Falou a professora Heloisa Suzano, de 44 anos. De fato, mais e mais pessoas passaram a utilizar os métodos homeopáticos, seja por descrença na medicina tradicional seja por outro motivo qualquer. “Utilizo a homeopatia desde 1990, tanto em mim quanto em meus filhos, e com ela eu me sinto harmonizada, em equilíbrio, com o meu próprio corpo”. Complementa Heloísa.

O médico homeopata José Antônio Mirilli, que dedicou 35 de seus 53 anos de idade aos preceitos de Hahnemann explica que a cura pela homeopatia se dá não pelos remédios homeopáticos em si, mas pelo efeito que ela faz no corpo. Nas palavras do mesmo “A homeopatia estimula o próprio corpo a se curar, ao contrário do que faz a alopatia, que age apenas contra a doença“.

Recentemente, a prática da homeopatia vem sendo estudada com o intuito de, possivelmente, ser integrada como método complementar no Sistema Único de Saúde (SUS) num futuro próximo, o que prova que sua inclusão na saúde do brasileiro não viria por acaso. Pesquisas afirmam que aproximadamente 60% dos brasileiros já tiveram algum contato com remédios homeopáticos e desde 1980 a homeopatia é aceita como prática pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). A partir daí, o número de médicos com formação em homeopatia não pára de crescer, existindo hoje, aproximadamente, seis mil médicos homeopatas no país, o que é um número bastante representativo levando em conta que existem, atualmente, cerca de quinze mil cardiologistas.

Apesar do momento positivo, ainda há muita descrença na eficácia da homeopatia, principalmente pelos médicos tradicionais, que afirmam que não há indícios de efeito terapêutico dos remédios nos humanos, tratando-se simplesmente de um mero efeito placebo, ou seja, que o que cura não é o remédio em si, mas a própria pessoa, através da crença que o medicamento vai ajudar. Também afirmam que a homeopatia segue preceitos científicos atrasados, o que impede a crítica e sua conseqüente reformulação da prática homeopática. Ainda sim, a médica alopata Anna Constança, de 37 anos, formada na Universidade Gama Filho afirmou ver pontos positivos na prática homeopática, “A impressão que tenho é que a homeopatia dá mais atenção ao paciente, colhe a história de forma mais detalhada e consegue estabelecer um vínculo médico-paciente de maior confiança Ao contrário da medicina alopata, que tem examinado cada vez menos o doente e tem dado pouca relevância à sua queixa”.Apesar disso, Anna ressalva que sua crença na eficiência se dá apenas em casos específicos, e que o tratamento homeopático é a longo prazo. “Há doenças que precisam de intervenção rápida e de solução na mesma velocidade” Avisa.

Ainda sobre as críticas, o médico Homeopata José Mirilli diz “A homeopatia não pode curar tudo, assim como a alopatia, mas promove a cura do corpo pelo próprio corpo, o que traz um bem estar geral para o paciente” Entretanto, afirma que “Realmente é necessário que haja um debate saudável entre a medicina tradicional e a homeopatia para que ambas se desenvolvam”. Afinal de contas, o que importa é a saúde do paciente, nisso todos concordam.

O homem que dança

Postado em 1 em julho 22, 2009 por coelhos1989

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Reportagem originalmente publicada no www.oestadorj.com.br

Albert Einstein disse, certa vez, que “é mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito”.Tal afirmação é tão verdadeira quanto dolorosa. Até certo ponto, conseguimos domar e moldar a natureza ao nosso desejo, construindo prédios cada vez mais altos, indo cada vez mais longe na imensidão do espaço e fazendo máquinas microscópicas que salvam vidas. Ainda sim, quando se limita a simplesmente aceitar a diversidade ainda estamos na antiguidade.

Atualmente, graças à maior dispersão da informação, sobretudo através da internet, antigos preconceitos estão sendo lenta, mas gradativamente, enfraquecidos, nos levando um passo adiante rumo a um mundo relativamente mais unido. Ainda que o discurso superficial e genérico da rede impeça uma verdadeira compreensão da diversidade individual, é fato que ser diferente hoje está cada vez mais se tornando algo normal, mais aceito. Até “tradicionais” alvos de preconceitos, como a figura do homem na dança, tem sido atacados com menos freqüência. “Realmente hoje existe menos preconceito porque os papéis masculino e feminino estão mais flexíveis, ainda que essencialmente iguais aos valores que prezamos” Falou a professora de ballet do Espaço Dança Roberto de Oliveira, Heloísa Almeida, com a experiência de quem está na área há quase 40 anos e viu quase tudo. Entretanto, ser estigmatizado ainda é inevitável. “Meu próprio pai brinca comigo e com a minha irmã em casa, já que eu faço ballet e ela boxe. É claro que ele fala de brincadeira, mas toda brincadeira tem um fundo de verdade” afirmou Tarik Vasques, ator e aluno de ballet, de 21 anos. “Além disso, ele não é o único que brinca e já percebi alguns olhares desconfiados, as pessoas não falam mais eu percebo” completa.

O preconceito nesse caso, apesar de enfraquecido, pode muito bem ser medido em números. Mesmo sendo uma atividade voltada para ambos os sexos, a quantidade de mulheres que fazem dança é quase sempre bem maior que a de homens. Na Escola de Dança e Centro Cultural Jaime Arôxa, a professora Elaine Moura, 29 anos afirmou. “Fora o forró e o samba de gafieira, há quase sempre mais mulheres do que homens”. No Ballet então a situação é mais grave ainda. “ De quase 300 estudantes, temos apenas 3 homens” Disse a secretária do Lyceu Escola de Dança, Marcela Gallouckydio. Razões são tão diversas quanto sem sentido. “Homem não dança”, “Quem dança é veado” entre outras expressões do tipo são comuns, ainda que de brincadeira. Mesmo sendo normalmente inocentes, quem ouve pode acabar reproduzindo posteriormente, intimidando quem realmente quer seguir seu desejo.

“Normalmente quem tem preconceito são os outros homens, que ficam inseguros quando vêem um possível concorrente chamar a atenção das mulheres” Disse Leandro, estudante de economia, que faz dança de salão há um ano e meio. Muitas mulheres admitem que saber dançar é sim um diferencial na hora da conquista. Para outros, esse aspecto positivo é sobreposto por outros mais importantes. Emilio Crispim, estudante de 23 anos de Contagem em Minas Gerais, disse “De alguma forma quando danço, externalizo tudo aquilo que me incomoda psicológica e mentalmente”.

No fim, o que acaba realmente importando, como afirmaram muito dos entrevistados, é o prazer pela dança e pelo dançar, independente do sexo e da posição social ou econômica. Trata-se, como bem clarificou Martha Graham, uma das grandes bailarinas de nosso tempo, de “Dizer com o corpo o que não pode ser dito com palavras”.

A origem de “Brasil”

Postado em 1 em julho 16, 2009 por coelhos1989

Você sabe de onde vem o nome “Brasil”?
O Pau-Brasil é uma hipótese para a história

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Reportagem originalmente publicada no www.oestadorj.com.br

Boa parte das pessoas aprende e aprendeu na escola que o nome do nosso país provém da árvore pau-brasil(Caesalpinia echinata). Henrique José da Costa, 20, estudante de Engenharia Civil da UFRJ é uma dessas inúmeras pessoas que cresceu acreditando veementemente que apenas isso explicava a nomenclatura da nação em que vivem. “Eu acho que conheço a origem. Ela vem da época da extração de pau-brasil, no período colonial”. Afirma ele, confirmando a suspeita.

De fato, ensinar tal hipótese não está historicamente errado, já que a versão mais aceita e difundida entre os historiadores diz que o vocábulo “Brasil” se originou da palavra brasa, que tem diversas procedências lingüísticas, sendo uma das mais significativas o étimo (vocábulo do qual se originou uma outra palavra) francês “brésil”. Entretanto, há uma teoria pouco conhecida pelos brasileiros que afirma que o nome da nossa nação nasceu de raízes muito mais antigas, que remontam não à tradição greco-latina, mas à céltica.

Dupla origem: De Hy Brasil ao Pau-Brasil

Roger Casement (1864-1916), um famoso poeta irlandês que viveu no inicio do século XX começou a desenvolver, a partir de seus estudos sobre a mitologia céltica, uma teoria que afirmava que a palavra “Brasil” provinha não da madeira cor de brasa (pau-brasil) que daqui era exportada rumo à Europa nos anos seguintes ao descobrimento, mas sim da antiqüíssima e mitológica ilha de “Hy Brazil”, ou Ilha Brazil, que traduzindo do gaélico antigo seria chamada de “Ilha dos Bem-afortunados”. Semelhante às míticas ilhas de Avalon e Atlântida, a Ilha Brazil seria um lugar paradisíaco e também o lugar de vivência de seres lendários do folclore local, nesse caso o irlandês. Sua notoriedade na Europa ocidental era bastante antiga e difundida entre o povo, especialmente entre os marinheiros e, desde o século XIV. já era possível encontrar traços dessa lendária ilha em diversos mapas cartográficos, sempre a oeste da Irlanda. De acordo com estudos, em especial o do livro “Uma ilha chamada Brasil: O Paraíso irlandês no passado brasileiro”, de Geraldo Cantarino, o termo “Brasil”- cujas variações já eram escritas e ouvidas na Europa desde o século IX – provém, na verdade, não de uma ou outra teoria mas sim das duas.

Um dos principais defensores dessa origem dupla, uma factual e material e outra mística, foi Gustavo Barroso (1888-1959), conhecido escritor e antigo presidente da Academia Brasileira de Letras. Para ele, que estudou profundamente a questão, ocorreu uma “intercorrência entre lenda e história, entre a madeira e a terra, entre o espírito e a matéria” e foi a partir dessa união que nasceu o nome do nosso país.

O professor de história César Tovar resume a opção acadêmica pela versão do pau-brasil da seguinte maneira. “A versão que relaciona nosso nome à madeira está presente nos mais antigos documentos e tratados de nossa historiografia, além de também ter uma proximidade cultural e histórica maior que a outra hipótese”. César completa sua explicação ao afirmar que é devido a isso que “essa tem sido a versão ensinada nas escolas”.

Apesar da elucidação quanto ao caso, os debates acerca do tema continuam até hoje, com bons argumentos pendendo para ambos os lados. Porém, se há uma benesse nessa polêmica é a revisão de conceitos e ânsia por novos conhecimentos que ela insurge naqueles que a desconheciam. “Depois de ter lido isso, eu passo a repensar esse conceito que eu tinha a respeito do tema” Finaliza Henrique.

Nem parece que é o Rio

Postado em 1 em julho 5, 2009 por coelhos1989

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Reportagem originalmente publicada no www.oestadorj.com.br

A colônia de pescadores Z-13: Um pedaço pouco conhecido do Rio.

Nem se imagina que estamos no meio de um dos bairros mais populosos, dinâmicos e pujantes do Rio de Janeiro. Cercado por amendoeiras que lhe dão uma aparência bucólica de cidade pequena, a colônia de pescadores Z-13, situada no posto seis da orla de Copacabana, pouco antes do Forte e do Clube dos Marimbás é um pequeno pedaço perdido de um Rio e de um estilo de vida que estão em extinção.
Fundada em 1923, mas com presença de pescadores que remonta ao século XIX, a colônia de pescadores tem uma posição privilegiada. A sua frente esparrama-se toda a orla de Copacabana, serena, calma e de uma simplicidade quase indescritível para quem está acostumado à pressa do cotidiano. Aqui parece que o tempo assume sua verdadeira forma a de amigo, e não de inimigo. Idosos, o público majoritário do lugar junto com os pescadores, sentam-se nos banquinhos de madeira e jogam conversa fora, falam do tempo de jovens e discutem frivolidades. “Eu conheço esse lugar há 60 anos” diz o ex-piloto de caça Francisco, mais conhecido como Chico, de 86 anos. “Aqui era bem diferente. A colônia era mais pra trás, pois não havia pista dupla na Avenida Atlântica e não existia esse mercadinho. As pessoas iam diretamente nos barcos para comprar os peixes”. Acompanhado de sua fiel escudeira Pedrita, uma cadela quase tão idosa quanto o dono – 12 anos – Chico conta outras histórias de sua vida, sem pressa. De seu treinamento nos EUA para lutar na segunda guerra mundial-na qual não chegou efetivamente a combater – até seu relacionamento com seus filhos e netos. Por fim, depois de uma conversa cordial, chegou mais uma vez ao assunto da colônia. “Eu vinha aqui quando ainda era Cassino Atlântico, que parou de funcionar em 46 e deu lugar à Tv Rio em 55”. Disse, antes de se despedir com Pedrita, seguindo o calçadão em direção à Copa.
Outro que conhece esse local como ninguém é Claudionor José da Silva, o famoso Nonô, nas palavras do mesmo. “Sou mais conhecido que moeda de um real por aqui” brinca, sentado na cadeira de plástico do lado de uma das barracas de venda, apoiado na sua bengala e escoltado por cachorro sem nome que lhe segue aonde quer que vá. “Que eu vou fazer se ele me quis como dono né?”. Pescador durante 68 anos, Nonô está na colônia desde 1938, o que o faz literalmente o único remanescente da época áurea da “Academia da Pesca” como era chamada a colônia, graças à habilidade dos pescadores que lá trabalhavam “Antigamente existia pescador de verdade, não esses puxadores de rede, pescador de peixe morto” diz, criticando a mocidade que cedeu às facilidades da tecnologia e trazem cada vez peixes mais graúdos. “Pescador de verdade fica dias no mar. Esses novos colocam a rede, vão dormir e pegam os peixes semimortos no dia seguinte. Assim é fácil” Completa, dizendo sentir saudade dos arrastões que faziam antigamente, nos quais traziam literalmente toneladas de peixe fresquinho. Atualmente Nonô trabalha fazendo redes para vôlei, o que lhe dá um sustento razoável. “Muita gente usa minhas redes e nem sabe. Elas estão no mundo todo” Fala, com razão. Um dos clientes que mais pede suas redes é o Banco do Brasil, que as usa nas competições oficiais de vôlei de praia.
Apesar de hoje, com a reformulação do lugar, a colônia ser mais um local de lazer do que de trabalho, nas palavras daqueles que trabalham lá, ainda é possível ver as raízes de um tempo mais simples, de um Rio mais calmo. Basta ir conferir por si mesmo. Afinal, como bem proclamou Nonô, no final da conversa “Apesar de todas as mudanças que aconteceram, aqui ainda é o melhor lugar do mundo”.

Leonardo Coelho